Os edifícios, pequenos ou grandes, constituem um foco de interesse muito apreciado na pintura de paisagem, seja como tema principal ou como complemento à pintura.




João Azevedo, Casa Alentejana

Embora as regras da perspetiva devam ser respeitadas mesmo quando pintamos uma floresta, os erros de perspetiva são mais notórios quando introduzimos elementos cujas formas são mais regulares, como os edifícios.










A perspetiva linear



... é um conjunto de regras que permitem criar a ilusão de profundidade numa pintura ou desenho.



Existem 3 aspetos que devemos compreender para podermos representar formas em perspetiva linear. 


1) Não desenhar objetos geométricos exatos


Sempre que colocamos formas geométricas como círculos, retângulos, triângulos num desenho ou pintura, estes parecem achatados, pelo que destruímos a ilusão de profundidade. Assim, devemos evitar estas formas. 



Vejam os exemplos seguintes: A primeira imagem representa um cubo em que a face frontal é um quadrado perfeito. Esta é uma projeção isométrica que nada tem a ver com perspetiva linear. A profundidade não está bem representada, apesar do sombreado. 












Na imagem seguinte pelo contrário, nenhuma das faces é um quadrado perfeito o que se pode comprovar facilmente se pegarmos uma régua e medirmos cada vértice. Apesar disso, esta forma parece-se mais com um cubo do que a anterior! 

A ilusão de profundidade neste caso é notável, mesmo sem recorrer a sombreados.






2) Planos projetados criam profundidade



Significa que devemos aplicar nas nossas pinturas e desenhos a ideia de que as imagens diminuem de tamanho à medida que se afastam do observador.


Seja qual for a distância a que se encontra, centímetros ou quilómetros, qualquer forma diminui de tamanho quanto mais longe estiver. Assim, no exemplo seguinte, o observador tem a ilusão de que as árvores, as nuvens, os postes centrais parecem mais distantes ao longo de uma estrada, ilusão esta que é alcançada pelo facto do artista ter diminuído as dimensões de todas as formas ao longo de linhas que confluem para representar uma estrada. 






É este efeito que permite ao pintor representar um cubo. Olhando novamente para esta forma, o que o artista fez foi aumentar o vértice do meio (vermelho) e diminuir os dois vértices adjacentes (azul) e deste modo estes parecem mais distantes. 






3) Ponto de vista e ponto de fuga




Para passarmos à prática falta abordar a noção de ponto de fuga a par de uma ideia também muito simples, o ponto de vista: ninguém pode olhar (e ver com clareza) para duas direções ao mesmo tempo.

Um erro comum na aplicação da perspetiva linear é definir a linha de horizonte e de seguida os pontos de fuga para criar a perspetiva linear e posicionar os objetos no centro. 

Assim de forma simplificada no exemplo ao lado criamos uma linha de horizonte e dois pontos de fuga: 


Contudo quando integramos neste esquema o nosso cubo (que poderia ser um edifício por exemplo), não o podemos posicionar simultaneamente acima e abaixo da linha do horizonte. O resultado é uma representação que confunde o observador pois este não consegue olhar para a parte superior e para a parte inferior ao mesmo tempo: 






Assim, devemos sempre usar a experiência da observação e não apenas a teoria da perspetiva linear. 

Isto significa na prática que devemos limitar o Ponto de Vista que queremos oferecer ao observador a uma visão superior ou inferior em relação aos objetos. E uma vez estabelecido esse ponto de vista, devemos manter toda a pintura ou desenho uniforme em relação ao mesmo. 




A seguinte representação será então mais correta: 





O exemplo seguinte mostra uma aplicação prática esta noção: 







Nesta pintura de uma locomotiva (sempre um bom exemplo na aplicação a perspetiva linear), o ponto de vista é superior, pois encontra-se abaixo da linha do horizonte. Ao longo da locomotiva percebem-se as linhas que confluem até ao fundo da tela. 




Boas pinturas!